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Brasil freia importações de carros mexicanos

Governo altera acordo para tentar equilibrar balança comercial entre os dois países

Por Luciano de Oliveira
São Paulo
No dia 16 de março entraram em vigor as novas regras de importação de veículos provenientes do México, que alteram o acordo celebrado entre os dois países em junho de 2002.
O governo brasileiro fixou cotas para importação de veículos leves, por três anos, sendo US$1,45 bilhão, em 2012/13 (até 18 de março de 2013); US$1,56 bilhão em 2013/14 e US$1,64 bilhão em 2014/15.
Os veículos produzidos no México continuam isentos da taxa de importação de 35% e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) determinadas, pelo Governo Federal no fim de 2011, aos carros importados.


As novas regras incluem ainda, o comprometimento de Brasil e México de aumentar o conteúdo regional nos carros exportados. Em 2012, o índice de nacionalização subirá de 30 para 35%, chegando a 40% em 2015 e, podendo chegar até 45% até 2016.

Essa alteração do acordo original foi solicitada pelo Brasil, após alta nas importações de carros mexicanos ao Brasil, que gerou déficit na balança comercial. Segundo nota conjunta dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e das Relações Exteriores, após o período de três anos, o acordo retornará aos critérios de assinatura original de 2002 (para ler o acordo na íntegra, clique aqui).
A associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou nota em que “entende que a celebração de acordos...reitera a necessidade da permanente evolução da competitividade das exportações brasileiras e do fortalecimento da indústria nacional”.

Entretanto, todas essas alterações beneficiam o governo brasileiro, mexicano e a indústria multinacional, prejudicando apenas o consumidor. Pelo menos é isso que o economista Carlos Marcel Ananias. “Tende a subir um pouco mais o preço, em um ou dois anos, pelo crescimento (de mercado) estimado em 5%...estimando na ordem de 10%” diz. Como há uma limitação no valor de importação, os produtos terão aumento de preço, mas continuarão sendo trazidos, o que não deve gerar ágio nas concessionárias, complementa.

Marcel afirma ainda que, quanto menos itens fabricados no Brasil, maior será o valor do veículo e o comprador perde em grau de tecnologia melhores e diferenciais.
Observa-se também, uma correção, por parte do governo brasileiro, quanto aos importadores de demais países, atingidos pelo aumento de IPI em 2011. A medida foi vista como protecionista às montadoras locais e descabidas, primeiro por diminuir a capacidade de concorrência e aplicação de novas tecnologias a custo justo para os produtos locais e, segundo, por que, as quatro maiores montadoras locais, enviaram lucros somados aproximados de US$5 bi às suas matrizes (ou seja, apesar de complicadas e caras, as instalações brasileiras são altamente lucrativas, conforme citação de Marcel). O Brasil propicia à indústria automotiva as maiores margens de lucro do mundo, na rede varejista, para vendas de veículos zero quilometro, na casa de até 300%.

O governo aplicou as alterações de IPI tendo em vista a proteção dos empregos nacionais, o que também é questionável, pois é 60% mais caro produzir no Brasil, do que na China, apenas como comparação.

Automóveis mexicanos vendidos no Brasil


A maioria deles, “são de segmentos elevados, o que não deve gerar perda para as montadoras, que economizam também em não necessitar da construção de novas plantas produtivas no Brasil, beneficiando-se da localização mexicana (próximo aos EUA) e das tarifas fiscais”, complementa Marcel.

Pelo número de vendas de alguns veículos citados, entre os meses de fevereiro e março, pode observar-se no gráfico abaixo, que todos, exceto a linha VW Jetta, tiveram aumento considerável nas vendas. A queda do modelo da Volkswagen, justifica-se pelo preço. Em fevereiro, o sedã tinha desconto de R$1,5mil**.
  
*Fonte: Fenabrave

A reportagem procurou GM e Nissan, para comentar o novo acordo, mas até o momento, não se responderam aos e-mails.

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