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Redução de IPI tenta alavancar vendas de automóveis no Brasil

Setor automotivo tinha estoques para 43 dias e podia reduzir ainda mais toda economia nacional


Por Luciano de Oliveira
São Paulo



O governo federal anunciou um novo pacote de medidas para estimular o crédito e o mercado interno.
Entre elas, está a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para compra de automóveis, válida até 31 de agosto, além da liberação dos depósitos compulsórios para estimular o crédito para a compra de carros e a diminuição do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para todas as operações de crédito, de dois e meio para um e meio por cento.
Segundo o ministro da Economia, Guido Mantega, a intenção é estimular a atividade economia, tendo em vista o agravamento da crise financeira internacional. Essas medidas diminuirão a arrecadação federal em pouco mais de dois bilhões de reais, o que não é muito se levarmos em consideração os outros impostos embutidos no preço de um carro.

As alterações nas alíquotas do IPI variam de acordo com o segmento de mercado dos automóveis:
Carros fabricados no Brasil com até um ponto zero litro, terão o imposto de sete por cento zerado. De um a dois litros flex, a alíquota será reduzida pela metade, de onze para cinco e meio por cento, enquanto aqueles movidos somente a gasolina, o imposto de treze por cento cairá para seis e meio por cento. Já os utilitários, tiveram redução de 3 pontos percentuais (de quatro para um por cento).
Os importados apresentam redução entre 7 e 3 pontos percentuais.
Por outro lado, as montadoras se comprometeram a aplicar descontos sobre as tabelas vigentes, somadas a redução de IPI que, segundo o governo, devem gerar valores dez por cento menores aos praticados atualmente. Assim, se comprometeram a manter os empregos da indústria e na rede varejista.
O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores, Cledovirno Belini diz que as medidas atendem a demanda do setor, que está com os estoques muito altos.
É a terceira vez em pouco mais de seis meses que o Governo Federal intervém no mercado automotivo nacional. Em setembro subiu em trinta pontos percentuais as alíquotas de importação para veículos de fora dos acordos comerciais (Mercosul e México) e vale até dezembro de 2012. Em março, aplicou alterações ao acordo sobre os veículos provenientes do México, aplicando cotas para importação de veículos leves, por três anos.
Mesmo com todas essas alterações, as fabricantes mantém o cronograma de lançamentos previsto para esse ano.
Entretanto, a BMW que preparava a instalação de uma unidade fabril em Santa Catarina, já suspendeu temporariamente o plano de investimento.
Marcas de superesportivos como Ferrari e Porsche ainda não confirmaram presença no Salão do Automóvel de São Paulo, que acontece no fim de outubro. Pode ser indício de que outras marcas revejam os investimentos e aguardem uma melhor oportunidade de mercado.

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