Por Simone Salles
São Paulo
A Comissão Estadual da Verdade composta por membros da Assembleia Legislativa de São Paulo juntamente com organizações de ex-presos políticos, familiares de mortos e desaparecidos, advogados, entre outros, farão o levantamento de documentos públicos no âmbito estadual, sobre atos que violaram os direitos humanos ocorridos durante o período de ditadura militar entre 1964 a 1982. Os documentos serão encaminhados à Brasília para compor dados à Comissão Nacional.
| Dr. Marlon Weichert. Foto: Simone Salles |
Uma vez que os documentos oficiais ainda não foram revelados, todos os setores em São Paulo que sofreram a repressão militar são chamados a auxiliar no trabalho da Comissão Estadual da Verdade. “Universidades diretamente atingidas pela repressão também contribuirão no levantamento de dados e documentos” (relacionados aos abusos cometidos por militares), diz Ivan Seixas, ex-preso político e presidente do Núcleo de Preservação da Memória Política.
Dra. Maria Aparecida Costa Cantal, advogada e integrante do Coletivo de Mulheres pela Verdade e Justiça ressalta a importância de se realizar grupos de estudos nas universidades, mesmo que não atingidas pela repressão, a fim de conhecerem melhor sobre o que foi o regime militar. Ela enfatiza que as gerações pós-ditadura pouco se interessam por este fato histórico que ainda hoje reflete consequências na sociedade atual.
A Lei da Anistia dificulta o indiciamento e condenação de agentes do Estado que cometeram “excessos” durante o regime militar, porém, a Organização dos Estados Americanos considera imprescritíveis crimes de graves violações contra os direitos humanos. Dr. Marlon Weichert explica que, apesar da Comissão da Verdade – Estadual e Nacional – não ter validade penal, é uma importante fonte que fornecerá elementos para ação do Ministério Público Federal agir a favor da justiça.




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