Por Fernanda Fernandes
São Paulo
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| Ricardo Teixeira - foto:Divulgação |
Antes um anônimo operador do mercado financeiro carioca, Teixeira foi alçado ao cargo máximo do futebol brasileiro após se casar com Lucia Havelange, filha do dirigente esportivo mais influente que o país já teve, o nonagenário João, ex-presidente da antiga CBD e mandatário da FIFA por longos 24 anos, entre 1974 e 1998.
Sem intimidade alguma com o futebol, sempre comandou a confederação por trás dos holofotes, tendo sido presença nula nos estádios brasileiros ao longo de todos esses anos, porém, extremamente dedicado às relações políticas com autoridades da República, e também comerciais, amealhando onze patrocinadores oficiais para a seleção brasileira e arrecadando atualmente cerca de 220 milhões de reais por ano.
No entanto, apesar da valorização da “marca” da Seleção, jamais foi bem visto pelos torcedores e pelo que se pode chamar de sério na mídia esportiva. Não era para menos, pois durante seu reinado foram fartas as ‘viradas de mesa’, os conluios com a Rede Globo, dentre outros fatos condenáveis, como a entrega, seguida de extrema mercantilização, da seleção para a Nike, após contrato assinado em 1996 que terminou em duas CPIs entre 2000 e 2001, quando ficaram inequívocos diversos dutos de corrupção e enriquecimento pessoal.
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| Ricardo Teixeira - foto:Divulgação |
Sediar uma Copa do Mundo e, ainda por cima, presidir o Comitê Organizador Local (COL) ampliaram como nunca a notoriedade de Teixeira. Membro também do Comitê Executivo da FIFA, já tinha se envolvido em escândalos de corrupção além mar, como, por exemplo, a propina de cerca de 10 milhões de reais ao longo dos anos 90, da empresa de marketing esportivo da FIFA, a ISL, que faliu após diversos desvios internos, como mostrou a BBC e se comprovou no tribunal da cidade de Zug.
Sem medir ambições, aparelhou o Comitê Organizador em favor de seus chegados, tal como sempre se viu na CBF. Exemplo disso é seu tio Marco Antonio Teixeira sempre ter ocupado cargo decorativo na entidade auferindo rendimentos de estrela de time grande. A filha Joana Havelange é a mais importante diretora do COL. Outros parentes e aliados ocupam cargos estratégicos. O comitê raramente presta esclarecimentos públicos e no ano passado a mídia desvendou que seu ordenamento jurídico original colocava os presidentes da CBF e do COL - ou seja, Ricardo Teixeira - como sócios do comitê e donos de direito dos lucros da Copa.
Para o jornalista e especialista em midia internacional Marcio Bernardes Teixeira começou a enforcá-lo quando concedeu desastrosa, e espetacular, entrevista à revista Piauí, na qual esbanjou seu ilimitado poder, debochou da mídia crítica a ele, jurando até vingança na Copa de 2014, e fez pouco também das próprias autoridades da nação. A partir disso, o trânsito que tinha com Lula foi cortado por Dilma, que passou a deixá-lo em fritura tal qual ocorrera com vários de seus ministros.
Com esse tesouro da justiça suíça na mão e uma bombástica reportagem mostrada pela BBC, o repórter Andrew Jennings (que junto com o jornalista brasileiro JUca Kfuri)veio ao Brasil reiterar energicamente as denúncias, qualificando-o de modo que o grosso da mídia brasileira jamais teve a coragem de fazer. “Ele roubou tudo o que pôde e agora finalmente vai”, disse em seu comentário pós-renúncia. E, após outra abdicação, esta de João Havelange, da diretoria do Comitê Olímpico Internacional (COI), há cerca de dois meses, exatamente pelos mesmos motivos do ex-genro, espera-se que em breve os suíços dêem parecer definitivo sobre o caso.
Por ora, o quadro do comando do futebol brasileiro continua desalentador , Marcio Bernandes acredita que nada mudará para ele basta ver ver os vice-presidentes da CBF, principalmente Jose Maria Marin, histórico malufista, membro da ARENA, governador biônico em 1982 e agora presidente automaticamente empossado da CBF, por ser o mais velho dos vices – outra opção era Fernando Sarney. Seu discurso teceu todas as loas possíveis ao antecessor e afirmou que tudo seguirá igual nos procedimentos da entidade. Além disso, é aliado de Marco Polo del Nero, presidente da Federação Paulista, de estirpe idêntica à de Ricardo Teixeira.
No entanto, Marin não goza de nenhum prestígio e legitimidade no cargo, de modo que ainda é difícil prever o que se sucederá. Alguns presidentes de federações estaduais já se articulam e talvez pleiteiem novas eleições na CBF, pois entendem que o acordão de 2007 que estendeu o mandato de Teixeira até o fim da Copa de 2014 não se aplica a Marin.
Marcio Bernades afirma que não podemos esquece que o futebol se livrou de um de seus piores inimigos mundiais mas seu legado ainda é forte e a mobilização por mudanças, principalmente da parte dos clubes, ainda é decepcionante. O governo não parece tão interessado em instaurar novas e autênticas políticas esportivas no bojo de um momento histórico. Prefere ocupar-se dos grandes eventos e limpar sua imagem, que ainda sofrerá muitas críticas com as obras estruturais, já eivadas de desvios, atrasos, vícios e, acima de tudo, enorme desrespeito à população por elas afetada e em vários casos despojada"
Se não testemunharmos uma rápida e drástica alteração no futebol nacional, estaremos, assim, diante de uma cortina de fumaça a provar que essa Copa do Mundo é apenas parte de mais um grande avanço capitalista em locais promissores, algo talvez inédito no Brasil, mas não na Terra. Uma estratégia de negócios e lucros que, em nome das aparências, também descarta seus membros incautos, irresponsáveis e bufões.






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